5ª SERIE: SÍNDROME DA AGRESSIVIDADE?

O primeiro bimestre do ano começa sempre em clima de euforia. Os alunos ansiosos, querem conhecer novos colegas, novos professores, materiais diferentes como livros didáticos, novos horários e a expectativa entre eles: qual será o professor “mais bonzinho”?
A turminha da 5ª série parece mais desenvolta, não é que cresceram nas férias!! As meninas estão mais “mocinhas” e os meninos fazem esforço para parecerem “sérios”. Iniciam o ano, participando da elaboração de regras e, se os professores não souberem administrar as questões, uma regra pode se tornar impossível de ser cumprida, com rigor implacável.
Ao final do primeiro bimestre aparecem as primeiras “queixas”. Os pais apontam os “rigores” de alguns professores, comparam-nos com a professora da 4ª série, que “era sábia ao solucionar os conflitos em sala de aula, além da atenção diferenciada que dava a cada aluno”. Muitas queixas são acompanhadas de “ameaças” subliminares do tipo: “matriculei o meu filho nesta escola por causa da proposta de trabalho mais individual...”
Professores também se queixam da indisciplina dos alunos, do não comprometimento com os estudos e, principalmente, do nível de agressividade que, pouco a pouco, cresce em sala de aula.
As causas podem ser diversas mas, precisamos ter consciência de, pelo menos, uma delas, o que evitará desconfianças inúteis e maldosas. Falo da diferença de atitudes e expectativas entre a criança e o adolescente.
Até por volta dos 10 anos (4ª série, portanto!) a criança tende mais a uma submissão afetuosa. É, portanto, menos “respondona”, cede mais facilmente aos apelos dos professores e também dos pais. É capaz de ouvir sugestões e, esforça-se por cumprí-las, lógico esperando assim o reconhecimento dos adultos. E quando ele chega, estufa o peito de felicidade e seus olhos transbordam envaidecidos em afeto.
Ao entrar na puberdade, a criança passa por uma situação de estranhamento com relação ao mundo e a si própria. Ela precisa buscar seu novo espaço, (agora ela está na 5ª série, já não é mais “criancinha”!) e a hostilidade passa a ser utilizada de forma mais marcante, pois a necessidade de afirmação suscita sentimentos opostos em relação ao mundo adulto, que ela, ambiguamente, ama e despreza ao mesmo tempo. Daí a rebeldia, que é uma espécie de ADEUS à atitude de submissão da primeira infância. Esta rebeldia nada mais é do que a dificuldade em romper laços profundos criados na infância.
É importante percebermos esta revolta do adolescente como uma atitude saudável – que significa crescimento e auto-afirmação. É preferível a “revolta” do que a passividade. A sua agressividade é sintoma da insegurança que o ronda, quanto mais inseguro, mais agressivo o adolescente se mostra
Esta fase que perdura até aproximadamente os 14 ou 15 anos pode se intensificar e até prolongar se pais e professores se mostrarem frágeis e assustados. Alguns reagem de maneira hostil e, entram em competição com o adolescente. É que esses pais e professores não conseguem se diferenciar dos adolescentes. Sentem a agressão do filho ou aluno como pessoal e reagem como se o mesmo fosse um adulto, numa relação de igual para igual.
Estes pais e professores na verdade, precisam se rever como pessoas, conhecerem mais sobre si mesmos e como o desenvolvimento humano transcorre. Caso contrário eles só confirmarão a imagem internalizada do mau adulto que a criança elaborou em suas relações primordiais. O ideal é que pais e professores possam dar suporte ao comportamento do aluno, ensinando-lhe outras formas de atuar.
Na verdade, antes de responder a uma agressão, professores e pais deveriam se perguntar: A quem agride essa criança, quando me agride? Por que me incomoda tanto essa agressão? Se pais e professores encontrarem as respostas estarão contribuindo para o estabelecimento de melhores relações e, com certeza, sem transferências de culpas.
 
Consuelo Carvalho de Araújo - Pedagoga especialista em educação
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