A tal da CRIATIVIDADE

Há frases e palavras de grandes estudiosos da Educação como por exemplo Piaget, que parecem estar esgotadas de tanto serem usadas. Uma dessas frases é: “respeitar o aluno de acordo com o seu nível e ritmo de desenvolvimento.” No entanto, como tornar a frase verdadeira se, em grande parte das escolas brasileiras, os alunos continuam em salas de aula lotadas, com trinta, quarenta e até mais alunos, em carteiras enfileiradas e o professor à frente, “ensinando” conteúdos, na pressuposição de que todos vão entender ao mesmo tempo. Isso nunca aconteceu!
Em uma turma de, aproximadamente trinta alunos, em geral há 10% de bom nível de desenvolvimento que “aprendem” com rapidez. Mas, há também, aproximadamente um percentual de 10 a 15% com muita dificuldade. E a pergunta que faço é: qual será a dificuldade real desses alunos?
Há crianças com déficit de atenção, hiperatividade, alguns com síndromes de Asperger, autistas e outras necessidades. Em diversas escolas, o professor não dispõe sequer de um (ou uma) auxiliar! Esses alunos, ao final do ano, são reprovados, outros são promovidos pelo Conselho de Classe.
Uma palavra que também parece esgotada é a tal da Criatividade. Já vi alunos serem considerados criativos, porque desenham e sabem colorir. Ao analisar os desenhos do aluno “criativo”, percebo que seus desenhos, ainda que ‘caprichados”, se repetem, se repetem e se repetem.
A análise do termo Criatividade, dá-nos a certeza de que o mesmo, deriva de uma capacidade de inventar, de não ser repetitivo e de ser original. Como é possível ser original se as “melhores” notas do grupo, advém daqueles educandos que “gravaram” direitinho as explicações do professor? E nas provas, repetiram palavra por palavra. Acertaram também as perguntas como respostas de marcar um “x”. Aqueles alunos com dificuldades não responderam as perguntas e tão somente algumas de marcar “x”. O resultado já é esperado: desastroso!
O problema é o de sempre: o modelo tradicional de aulas. À frente dos alunos, o professor que fala geralmente auxiliado por um quadro, atualmente um quadro branco e pincel atômico, ou por um texto didático que está nos livros dos alunos. Além da leitura e de explicações do conteúdo, o professor apresenta exemplos e ao terminar pergunta se entenderam. Um ou outro aluno “corajoso” faz uma pergunta. Dependendo da pergunta, o professor diz com certa aspereza: “Você não prestou atenção, já falei sobre isso”! Para finalizar a aula, o professor aplica uma série de exercícios. Os exercícios são passados no quadro. Alunos com dificuldades visuais, como por exemplo “lateralidade cruzada”, enrolam o tempo e não conseguem copiar tudo.
Você já assistiu ou teve uma aula assim? Eu já, milhares de vezes. Não é logicamente, uma aula criativa. Precisamos entender que as informações entram no nosso cérebro pelos caminhos usuais e acumulam-se, mas normalmente são retiradas da lembrança imediata em pouco tempo.
Inteligente que é, nosso cérebro não trabalha com coisas pouco úteis ou que atrapalham a memória de outras coisas. Muitos de nós, decoramos uma fórmula de Física e não nos lembramos mais! Não se trata de “memória ruim” ou um precoce Alzheimer. Trata-se de um exercício da inteligência do seu cérebro. Afinal, para que ocupar espaços do cérebro se determinadas informações nunca foram necessárias? Mas, adições, subtrações, multiplicações e divisões básicas, continuam vivas em nossa cabeça. Utilizamos esse conhecimento básico, diariamente, e vemos nelas mais valor. Repetimos as operações básicas diariamente, e essa repetição é uma das chaves da memória.
Uma aula criativa deve incluir canais de comunicação, sensações, experiências e outros campos variados, que são a primeira virtude da criatividade.

Consuelo Carvalho
Diretora Pedagógica do CRESÇA