APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA X AVANÇOS TECNOLÓGICOS

O século XXI se apresenta sob a perspectiva de um mundo novo, de uma nova fase da história humana. Mergulhamos na era da Tecnologia em que a INFORMAÇÃO e a COMUNICAÇÃO penetram nas sociedades, com profundidade e rapidez, provocando transformações nas relações humanas. O acesso à informação e ao conhecimento são elementos determinantes para que possamos participar e compreender o nosso mundo em transformação.
Esse “progresso” tem provocado o distanciamento físico e o individualismo que lança nossos jovens a adotarem um comportamento prioritariamente hedonista. É assim que as relações interpessoais estão acontecendo numa sociedade que não consegue livrar os nossos jovens dos apelos mercadológicos, que priorizam os bens materiais, o prazer físico e o ter. Apesar de todas as possibilidades e avanços tecnológicos, estamos inseridos nessa sociedade que conspira fortemente para que nossos alunos, crianças e adolescentes, desconsiderem o saber como um valor importante.
Não podemos nos esquecer de somar à essa “desimportância” de buscar o saber, alguns “heróis” que encantam e inspiram nossos jovens como jogadores de futebol, cantores e políticos que alcançaram sucesso, não em virtude de seu saber, mas, por meio da fama que conquistaram, muitas vezes, em tempo recorde! Dessa perspectiva nasce a necessidade de uma educação ao longo da vida, que acompanhe, de forma contínua, a velocidade da informação e das transformações tecnológicas e que capacite a todos de forma contextualizada para as necessidades que vão surgindo ao longo da vida. É urgente focarmos a nossa atenção no afeto e na cognição, na razão e na emoção, objetivando o exercício e o desenvolvimento da inteligência, bem como da solidariedade, do respeito às diferenças espirituais e culturais, fazendo da indignação, perante as crescentes desigualdades sociais, uma força que resulte em ação, que aproxime idéias, desejos e paixão por um Brasil melhor.
Segundo a Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, a ação educativa deve organizar-se em torno das quatro aprendizagens fundamentais, a saber:
  • Aprender a Viver Juntos, que pode ser alcançada na medida que incentivarmos a participação dos nossos alunos em projetos comuns, de cooperação mútua, que estimule a compreensão de si e do outro, como parceiro.
  • Aprender a Conhecer, o que exige um Aprender a Aprender e requer o desenvolvimento de habilidades de raciocínio, pensamento dedutivo, indutivo e analógico e, claro, a capacidade de argumentação e contrargumentação. Costumo dizer que nenhuma aprendizagem acontece no vazio, ela só pode acontecer a partir de conteúdos, de conhecimentos, de informações relevantes que são proporcionadas, no caso da escola, pelas disciplinas curriculares.
  • Aprender a Fazer, que está ligado ao Aprender a Conhecer. O conhecimento adquirido precisa transformar-se em ações que contribuam para o aperfeiçoamento pessoal e social. É importante ressaltar que todas as ações deverão estar alicerçadas numa visão ética e nos valores positivos que o indivíduo deverá formar ao longo da vida.
  • Aprender a Ser alguém que congrega todas as aprendizagens anteriores. Para inovar, no campo social ou econômico, o indivíduo precisa ser criativo imaginativo e ter iniciativa. Graças a Deus, são tantas as qualidades e os talentos individuais, que nada pode contrapor-se à originalidade do ser humano.
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Façamos, pois, desses quatro pilares, a nossa meta. Cabe à escola e à sociedade o esforço único que possibilite a concretização do ideal de unir teoria e prática. As disciplinas curriculares e os Temas Transversais são veículos para o desenvolvimento dessas competências: “viver juntos”, “aprender a conhecer”, “fazer” e “saber ser”.
 
Consuelo Carvalho de Araújo - Pedagoga especialista em educação
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